Em tempos de isolamento, Salesópolis vira refúgio e tem aumento de moradores temporários

Pandemia do novo coronavírus faz donos de sítios lotarem a cidade.

Em tempos de isolamento, municípios como Salesópolis recebem moradores temporários O isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus fez com que Salesópolis ganhasse moradores temporários.

A situação anima comerciantes, mas preocupa pela dificuldade de repôr mercadorias. A cidade tem menos de 20 mil habitantes e fica a cerca de 100 quilômetros da capital.

Um cenário de paz perfeito para quem busca refúgio e isolamento em meio a pandemia do novo coronavírus.

O aposentado Eduardo César de Almeida saiu da zona Leste de São Paulo e se mudou para a cidade.

Ele e a esposa fazem parte do grupo de risco e resolveram se desligar de tudo. Para fugir da aglomeração Eduardo e Isabel Conceição do Nascimento de Almeida foram para o sítio da família localizado na região de Salesópolis.

“A decisão não foi nem tanto pelo medo porque a gente se cuida, né?! Faz a limpeza de acordo com o que estão ensinando na televisão.

De fato, na realidade, nos gostamos da região e estamos com o intuito de ficar de fato”, afirma Almeida. Geladeira cheia e roupas no armário.

O cachorro da família também foi na bagagem.

A casa, antes de veraneio, por um bom tempo, deve virar a moradia oficial. “Aqui tem mais espaço.

Geralmente, uma chácara fica longe da outra, então, a gente fica mais tranquilo aqui.

Em São Paulo é uma casa em cima da outra.

Então, mesmo que você não queira, você está aglomerado”, explica Isabel. Salesópolis recebem novos moradores, muitos fugindo do coronavírus Reprodução/TV Diário Essa busca por locais mais isolados vem mudando também o perfil de faturamento dos comércios das pequenas cidades.

Em um mercado de Salesópolis, o mês de março já superou em 12% as vendas de dezembro, mês de melhor movimento.

Para dar conta dessa demanda inesperada, além de adotar novas medidas, o comerciante precisou ainda reforçar o quadro de funcionários.

Ele contratou, até agora, mais três empacotadores. “A gente crê que aumentou em torno de 50% o número de pessoas, entrando dentro do supermercado e que são de fora da cidade.

A gente fica numa situação boa porque vende mais, porém, não temos mercadorias para oferecer.

A gente fica nessa sinuca de bico", avalia o comerciante Adriano Pereira. Fora isso, o dono está pagando hora extra para alguns funcionários, principalmente os repositores.

Foi preciso ainda controlar a entrada de clientes.

O máximo no interior da loja é de 10 pessoas, sendo os idosos prioridade até para passar nos caixas. O comerciante diz também que já enfrenta dificuldades para repor o estoque.

Por isso, foi preciso limitar a venda de alguns alimentos, por pessoa, como os da cesta básica.

Mesmo assim muitas prateleiras estão sem ou com falta de mercadorias, como ovos, leite, álcool líquido e em gel. "A nossa ideia de fechar uma hora antes, primeiro, foi uma questão de aglomeração de pessoas.

Evitar que muitas pessoas fiquem no mesmo espaço.

Isso faz com que a gente diminua o número de contato entre pessoas.

Também por falta de mercadorias.

Como a gente não está conseguindo repôr, muitos itens já estão faltando nas prateleiras.

Se a gente deixar aberto normal, vai acabar mais rápido possível.

A forma foi essa, restringir o horário, para que todas as pessoas possam fazer a forma correta, como estamos fazendo aqui", declara. O aposentado Francisco Nunes Passos mora em Suzano e tem um sítio em Salesópolis.

Além de se refugiar com a esposa e a neta, ele abriu as portas da casa para receber um amigo e a esposa dele, moradores de Bertioga. “Principalmente nesse momento é melhor a gente tomar cuidado.

A chácara é grande e mora longe dos vizinhos.

É muito bom.”
Categoria:SP - Mogi das Cruzes e Suzano