Nível de escolaridade, faixa etária e gênero: censo em Campinas mostra maior nº de moradores em situação de rua desde 2012

Dados divulgados pela prefeitura traça perfil registrado em 2019.

Pesquisa indica ainda áreas com maiores concentrações e dados sobre uso de substâncias psicoativas; veja relatos Moradores em situação de rua ao lado da Catedral Metropolitana, em Campinas Fernando Pacífico Um censo realizado pela Secretaria de Assistência Social, Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas (SP) mostra que 822 pessoas estavam em situação de rua em 2019, total que representa alta de 31,9% sobre os 623 contabilizados no levantamento anterior do governo, em 2016. Além de indicar maior número de moradores nestas condições desde 2012, os dados divulgados pela administração nesta quinta-feira (20) estabelecem um raio-X sobre nível de escolaridade, gênero, faixa etária, distribuição geográfica e uso de substâncias psicoativas pelo grupo que inclui desde moradores "somente de passagem pela cidade" até quem está nesta em ruas e avenidas há mais de dez anos. Evolução A titular da pasta, Eliane Jocelaine Pereira, avalia que o aumento verificado desde o "censo de 2015" reflete a crise econômica nacional, marcada por alta no desemprego, e reduções de proteções sociais que eram asseguradas pelo governo federal.

Em 2012, Campinas tinha 980 pessoas em situação de rua. O próximo "censo" está previsto para 2021, com divulgação de novos dados em 2022, diz a prefeitura. Entre os principais fatores que levam as pessoas às ruas, diz o governo, estão: Precarização das condições de vida, conflitos familiares, desemprego, uso de álcool e outras drogas, perda da moradia. Distribuição geográfica Segundo a prefeitura, a maior concentração segue na região Leste, onde está o Centro, embora no comparativo entre 2016 e 2019 tenha sido verificada diminuição no percentual de 60% para 49%. "Houve maior descentralização desta população em período coincidente com a implementação do plano intersetorial de atenção à população em situação de rua de Campinas e de intensificação de políticas públicas integradas", defende a secretaria ao mencionar que o aumento da população em situação de rua poderia ser ainda maior em Campinas, caso as ações não tivessem ocorrido.

Veja abaixo serviços. Morador em situação de rua, no Centro de Campinas Fernando Pacífico / G1 Gênero Pela primeira vez, Campinas inclui no levantamento o grupo que se declara integrante da comunidade LGBT.

A maioria das pessoas em situação de rua se declara do gênero masculino. Nível de escolaridade A secretaria de Assistência Social, ao frisar os impactos da recente crise econômica nacional, reforça que eles também ficaram evidentes no nível de escolaridade da população em situação de rua, ao ponderar que 162 têm ensino médio completo, superior incompleto ou superior completo.

O total equivale a 19,7% do total e a assessoria da prefeitura não informou o número deste grupo em 2016. Por outro lado, destacou que no ano passado 47% dos moradores em situação de rua não chegaram a concluir o ensino fundamental, enquanto que no levantamento anterior eles correspondiam a 54%. Com isso, a pasta lembra que a falta de escolaridade reduz significativamente as possibilidades de inserção no mercado formal e no acesso a empregos com remunerações mais elevadas. Cor de pele Pela primeira vez, a administração também inclui no levantamento os dados sobre a cor ou raça autodeclarada pelos moradores.

A proposta, explica a secretaria de Assistência Social, é promover uma reflexão sobre o racismo estrutural e, com isso, permitir análise para implementação de políticas de igualdade racial que contribuam para a redução da vulnerabilidade social de grupos excluídos. Faixa etária A maioria das pessoas deste grupo tem entre 25 e 39 anos, segundo a prefeitura. Além disso, a administração destaca que a população economicamente ativa (25 a 49) somam 71%. Origem Segundo a prefeitura, 39% dos entrevistados durante o "censo" contaram que são munícipes, enquanto que 12,1% contaram ter chegado até a metrópole de outra cidade da Região Metropolitana (RMC).

A pesquisa indica ainda que outros 23,4% relataram ter como origem outras cidades do estado, 9,1% disseram ter chegado da capital paulista, e 0,3% do total mencionou que era de outro país. Um destes casos, por exemplo, é da moradora em situação de rua Jéssica Azevedo, de 24 anos, que saiu de Pedreira (SP).

Ela admite que já chegou a ser internada por causa do uso de drogas e o casal de filhos, de 5 e 9 anos, está sob cuidados da avó materna.

"Lá eles estão mais bem cuidados", contou antes de admitir que sonha em mudar de rumo e deixar esta situação.

"Eu quero ter um lar". A moradora Jéssica Azevedo, no Centro de Campinas Fernando Pacífico Tempo em situação de rua O levantamento da prefeitura mostra também há quanto tempo as pessoas estão em situação de rua em Campinas.

A maior parcela contou que está entre um e seis meses; veja abaixo a distribuição. 12% - entre um dia e um mês; 22% - entre um e seis meses; 20% - há mais de dez anos; A pasta sustenta que os dados sinalizam efetividade das políticas para evitar fixação das pessoas nesta situação, mas lembra que há complexidade nas intervenções.

"Nossa política é de cuidado, não higienista.

Há pessoas que rejeitam a abordagem, mas aceitam higienização, por exemplo", falou Eliane ao falar sobre os diferentes trabalhos realizados. A secretária de Assistência Social em Campinas, Eliane Jocelaine Pereira Fernando Pacífico / G1 Substâncias utilizadas Outro indicador pesquisado pelo governo foi o uso de substâncias psicoativas.

Durante as análises, as pessoas puderam responder mais de uma questão e a conclusão é de que o uso de crack aumentou. Além disso, 63% contaram que usam uma ou mais substâncias. Dados de 2019 Álcool - 32% Tabaco - 25% Crack - 17% Maconha - 15% Cocaína - 11% "A relação que as pessoas em situação de rua estabelecem com o álcool e outras drogas dificulta o trabalho de saída das ruas.

Aproximadamente 8% das pessoas entrevistadas supostamente têm sofrimento psíquico e supostamente 6% podem ter alguma deficiência", diz a secretaria. Pesquisa e análise Segundo o governo, a pesquisa foi realizada com base em critérios adotados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) no Censo Nacional feito em 2009.

Um decreto presidencial daquele ano define como população em situação de rua o "grupo populacional heterogêneo, caracterizado por sua condição de pobreza extrema, pela interrupção ou fragilidade dos vínculos familiares e pela falta de moradia convencional regular".

Além disso, inclui "pessoas que habitam ruas, praças, áreas degradadas, galpões e prédios abandonados e também utilizam serviços de acolhimento como abrigos e albergues". Principais fatores que levam as pessoas às ruas, segundo a administração municipal: Precarização das condições de vida Conflitos familiares Desemprego Uso de álcool e outras drogas Perda da moradia O morador de rua Gustavo Monteiro Pinheiro, de 33 anos, conta que está nas ruas desde 2010.

Ele chegou ao município em 1998, após deixar Garça (SP), e tem ensino médio completo para atuar como técnico de enfermagem.

Problemas familiares e uso de drogas, conta, fizeram-no chegar nesta situação. "Nunca fui atrás e ela [prefeitura] nunca me ofereceu nada", falou em frente à Catedral Metropolitana. O morador em situação de rua Gustavo Monteiro Pinheiro, em Campinas Fernando Pacífico / G1 Serviços municipais A prefeitura informou que a rede de atendimento conta com diferentes serviços, direcionados de acordo com a fase em que a pessoa se encontra.

Ela destaca que há abordagem social e consultório na rua; centros de referência especializados; albergue; acolhimento institucional (abrigos masculino/feminino e casas de passagem); residências inclusivas; repúblicas para jovens; casa da gestante, programa Mão Amiga, programa Recomeço, e ações do Departamento de Bem Estar Animal.

Outras informações estão disponíveis no site da administração. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

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